JESUS ERA UM IDEALISTA PLATÔNICO?

JESUS ERA UM IDEALISTA PLATÔNICO?

Muito se ouve em uma crítica ao estudo ou leitura de obras filosóficas, que estas são apenas ideais morais e remendos da personalidade, uma vez que apenas em Jesus se encontra o poder de transformar o caráter humano.
Enquanto eu lia sobre o ideal daqueles a quem poderíamos escolher como nossos líderes e defensores de Estado na concepção de Platão, me veio a memória a atual realidade Eclesiástica e os ensinamentos de Jesus para esses, ao que sou levado a analisar se os mandamentos de Jesus de igual forma não estão para nossa época na mera categoria de moralidade ou ideal inalcançável.
A partir de uma fábula a que se fazia acreditar os gregos antigos; que na formação dos destinados a serem governantes, era lhes atribuído pelos deuses uma porção de ouro, cuja preciosidade os capacitava a desprezar os tesouros terrenos por serem de uma conjuntura inferior ao que lhes fora concedido pela divindade, pois apenas dessa forma poderiam estar a altura de alguém disposto a lutar pelos direitos de seu povo; Ao contrário, os que possuíssem a título pessoal, autos valores em propriedades e dinheiro, jamais poderiam ser bons administradores dos bens comuns, uma vez que estariam ocupados em como proteger suas posses, adquirindo assim inimigos entre os seus ao invés de aliados, levando a vida a enganar e ser enganado. (A República – Livro lII, Capítulo XXII)

Enquanto Jesus adverte declaradamente aqueles a quem ele escolheu como apóstolos e seus futuros sucessores na causa do reino dos céus na terra que não era prudente ajuntar tesouros na terra com o mesmo cuidado de que nestes não se detessem embaraçando o coração, o que inevitavelmente geraria o cuidado com os ladrões e as traças.
(Mateus 6:19-21)
E ainda lhes contando uma parábola, atribui ao reino dos céus o valor de um tesouro de inestimável valor, pelo qual aquele que o encontra vende as demais posses no intuito de adquirir-lo.

É lastimável ver como se cumpre na íntegra em nossos dias o que fora previsto pelo Apóstolo Paulo em 2 Timóteo 3:13, onde Paulo se refere a possíveis eclesiásticos dizendo:

“Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados.”

Posto que enganam a muitos mas para os esclarecidos e mesmo para os olhos atentos dos que estão de fora, as suas intenções estão às claras no acúmulo de bens terrenos.

Nesse ensino, Paulo desmonta a possibilidade de que a instrução de Jesus se tratasse de alguma fábula a ser ignorada quando relata que todo o conteúdo das escrituras visavam o aprimoramento do homem de Deus, tornando-o apto às boas obras (2 Timóteo 3:16,17).

Waldir Ciriaco

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REFLEXOS

REFLEXOS

Jean de La Bruière escreveu no prefácio de seu livro Caracteres a frase:

“Pode mirar-se com alma neste retrato que lhe fiz, tomado do natural; e se reconhecer em si alguns dos defeitos que aponto, corrija-os. É o único fim que se deve ter em vista ao escrever, e também o sucesso com que menos se deve contar.”

Muito sugestivo para uma época de universalização da paixão a uma única paixão chamada “sucesso”, onde o próprio sagrado é reduzido por muitos a categoria de condução para o alcance deste.
De um lado ouvimos dos pulpitos o floreio perceptível das palavras numa entonação que evidencia mais o palestrante que a mensagem; do outro nos deparamos com uma enxurrada de flechas flamejantes embutidas na roupagem de uns versos isolados.

Há uma passagem bíblica de atribuição a Tiago que diz:

“Pois se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, é semelhante a um homem que contempla no espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo e vai-se, e logo se esquece de como era.”
(Tiago, 1:23,24)

Tal verso é o retrato da falta de coerência pessoal exigida a cada um de nós, que ao olhar no espelho da palavra, esta reflete o individuo, tal como deveria desempenhar seu papel e sua missão perante a sociedade. O que da mesma forma se compreende no pensamento de La Bruière, que o mesmo deveria tratar de como consertar seus próprios defeitos que fica evidenciado na fala de Tiago como prática da Palavra.
Pois a palavra não nos foi disposta em virtude de uma promoção particular, mas com o sublime propósito do aperfeiçoamento de cada um de nós com vistas ao estabelecimento do reino dos céus, em nossos corações, cujo progresso só pode ser evidenciado pela unidade, conforme Paulo propõe na sua carta aos Efésios 4:11-13.

“E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo.”

Uma verdadeira contradição com os princípios em desenvolvimento em nossa época onde os dons e a própria Verdade é subjugada aos interesses da sobreposição de uns em detrimento de outros.

Waldir Ciriaco

SENSITIVIDADE CRIADORA

SENSITIVIDADE CRIADORA

A um a vida investe seus tentáculos e arranca-lhe do peito a noção sensitivista e os crédulos etéreos.
A outro ela lança no abismo dessa tênue faculdade a conhece-la e distinguir-la. Não porém essa sensibilidade dos supérfluos e de toda espécie de feminizado, (não me refiro aqui aos homossexuais, mas a esses timoratos refreadores do espírito da inconformidade). Não essa reação a um romantismo piegas, dessas músicas de esmoleiro do “amor” e dos frenéticos espasmos da espiritualização estética.
Falo da sensibilidade em perceber incongruências, da capacidade de concepção da mortalidade, da percepção apurada para perceber o instante quase já ultrapassado para uma revolução.
E essa sensibilidade é aquela produzida no engenho do experimento, a qual os críticos teóricos transcrevem, apenas as superfícies, pois jamais suportariam com suas peles engomadas adentrar o fio das rochas e compressas, sob as trevas e o calor escaldante das cavernas. A verdade é que ninguém está disposto a suportar, mas como me referi aqui inicialmente, é preciso que um mísero adentre em cada mina e esbanje de maneira despretendida, pois é dessa forma que se chegam os tesouros da humanidade as mãos do que ostenta, e esse destrói o ciclo de reaabastecimento e revitalização daquilo que moveu o primeiro a encontrar a fonte. Essa fonte propulsora que é a prévia paixão pela descoberta. Uma vez que essa descoberta se deteriora em produto de comércio, trocou-se a vida pelo declínio, a essência progenitora pelo aborto dos sentidos eternos.
E a individualidade entra na derrocada rumo a um ressentimento que desampara o ápice da idade em um fatalismo niilista, ao invés da experiência sapiente e da significação.
E é aí que o resgatador entra na história e o ciclo se reinicia do mesmo ponto de partida, a busca da plenitude.

Waldir Ciriaco

NÓS DADIVOSOS

NÓS DADIVOSOS Apesar da propensão que nos pertence de ir às gentes e de anunciar, deveríamos aprender antes de tudo acomodar-nos a obscuridade dos rochedos de nossa caverna onde ainda não foi garimpado pelos homens, já que temos em nós intrínseca essa inquietude natural de ser encontrados, como são os finos metais. Deveríamos já está acomodados a umidade das encostas pantanosas e até ter aprendido a se ater discretamente ao destino das pequenas e raras fontes que no desenvolvimento das épocas e através dos descaminhos, algum cansado recostado revigora as energias sob as águas que nos séculos transcorridos foram cultivadas por algum esperançoso. Ou mesmo deveríamos nos investir para o fundo das planícies e transmutar-nos em alimento em forma de fruto da terra, ou mesmo de canal para a seiva tão propicia as grandes árvores. Ah!, mas só queremos transcender em nossa arte ou habilidades para o auge meteórico das faíscas. Waldir Ciriaco

MINHA CONTRIBUIÇÃO

MINHA CONTRIBUIÇÃO

Apropria-se nos uma sensação de posse e pertencimento particular sobre aquilo que descobrimos mesmo que esta descoberta não seja nenhuma novidade ao mesmo tempo que é algo de disponibilidade universal.
Assim ocorre habitualmente no campo das ideias
O agradável é que as ideias em si são cúmplices desta percepção e os poucos que as absorvem se tornam igualmente, se soubermos conciliar, uma espécie de refúgio amigável. E se desta maneira não ocorre concernente a empatia das afinidades, nesse caso também se faz inútil o artifício defensivo, pois aquele que foi despertado para a assimilação, tais represálias ou tolhimentos serão acolhidos como tônico impulsivo; e neste assunto, deixo minha paternal e amigável contribuição:
Muita cautela!
Sob altíssima propensão ao risco de comprometimento de sua liberdade, fica expressamente proibido a leitura de livros.

Waldir Ciriaco

FLUTUANTES

FLUTUANTES

“Siga o seu coração” e todos os homens migrarão graciosamente para o destino dos balões em explosões furiosas ou depressivas.
De emoção em emoção é a convergência aleatória da ingenuidade a equilibrar-se sutilmente entre arroubos de euforias e declives do humor numa espécie de dramaturgia poética que de tão trágica chega a ser cômica
Não ironizo pela vida que ela tem suas tragédias indesejadas e imprevisíveis e também alguma medida de excitação na razão
Mas é que os ventos tem os mesmos componentes dos eflúvios sensoriais de contrapor fluentemente a escalada das montanhas cujos tópicos são os únicos responsáveis pelas vistas amplamente privilegiadas enquanto que a sedição ao conforto imediato dos sopros só permite a mediana aventura, a distração dos sentidos e a concepção de queda.
Não é a toa que os raptos febris e erupções ledas de amores dos românticos sobejem quase sempre em cortejos melancólicos e suicidas.
Enquanto os méritos são a soma do esforço empreendido em cima dos objetivos as sensações tendem a inflar o ego de ilusões ao mesmo passo que promovem a propensão as rupturas e erupções a que a irracionalidade está fadada.

Waldir Ciriaco

NÃO É QUESTÃO DE SOBREPOSIÇÃO, MAS DE PROSTRAÇÃO

NÃO É QUESTÃO DE SOBREPOSIÇÃO, MAS DE PROSTRAÇÃO

Já tive que ao menos por duas vezes confrontar a ousadia de pupilos que de posses de suas condecorações procuram havidos quais os machos da categoria dos animais ovíparos demarcar seu território sobrepondo-se sobre outro da espécie, e criteriosamente eles procuram o que a seus olhos é mais vulnerável como investida precisa de subjugamento tendo em vista a notabilização.
Mal sabem que já mestres milenares refutaram essa prática do saber pela simples concepção da salientação pessoal sem compromissos consistentes e analíticos, reduzindo-os nominalmente a categoria sofística, e nesse tema me faço cansativo, mas é sempre oportuno, e mal sabem os principiantes, da primordialidade que se faz necessária para além das horas habituais de retração com os livros em renúncia e aparente privação recreativa, de um pouco qualquer que seja de prática de andanças aos passos de algum mestre ou de exercitação prática das teorias aplicadas à vivência, extraindo concepções a ferro, fogo, suor, sangue e lágrimas por auroras e noites a fio nas pegadas da grande e por vezes severa maestrina, -a vida-, e por fim e por princípio um prostrar-se autônomo e condicionado diante do que habita para além das extensões celestiais e no âmago mais complexo dos humildes.

Waldir Ciriaco